quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Comum?

E percebeu então que tudo aquilo que podia se esperar do fim, era a certeza final de que não bastava a vida para saciar a fome, a cruz e a espada do homem. Na beirada do universo, os estrangeiros se curvam à indiferença: o único sentimento capaz de preencher os pequenos corações cabalísticos que estufam o peito de cada ser humano.
E conformado, pôde enfim deixar correr todos os seus gritos, os seus limites de linguagem, a sua cabeleira desarrumada e o cheiro de suor que consumia seu castelo corporal. Era agora chão, e mais que chão, terra. Fazia parte do mundo por percebê-lo preso a suas entranhas. Fazia mais ainda, parte da verdade absoluta: o absurdo em que se sedimentava sua existência.
Naquela cela cor de chumbo, se dava o reencontro de dois astros unidos pelo destino claro dos que pensam demais.

Homem e mundo. O mundo sendo só do homem. O homem sendo só do mundo.

Agora, mais do que nunca, era preciso subtrair o homem do homem, para enfim chegar ao cume do sentido: a falta de sentido. O despertar do precipício humano.

Um comentário:

rodrigoals disse...

alguns dizem que o FIM é uma certeza, a quem diga que ele nunca existiu...